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CORPO DE DEUS (ANO A)
A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo surgiu como uma “duplicação” da quinta-feira Santa, devido à proximidade do ambiente de recolhimento próprio de sexta-feira Santa. Esta Solenidade surge com a finalidade de exaltar e reconhecer a presença real de Cristo na Eucaristia; é um momento de ação de graças pelo dom que é para a Igreja o “memorial do sacrifício” de Cristo. Um dos grandes momentos deste dia é a adoração eucarística que não se resume somente a exposições e visitas ao Santíssimo e procissões, mas toda a Eucaristia supõe uma atitude de adoração. Seria oportuno exortar os fiéis para que, se não estão ajoelhados, façam um sinal de adoração – inclinação do corpo – quando o sacerdote adora a Eucaristia depois da consagração do pão e do vinho, tal como está previsto no Missal. Um gesto realizado por toda assembleia manifestaria uma atitude espiritual que é necessário fomentar.
O conteúdo doutrinal da missa no Ano A contém o texto evangélico clássico deste dia: a última parte do discurso de Jesus em Cafarnaúm com as afirmações sobre o realismo do dom eucarístico. Aos judeus que discutiam entre si, Jesus faz referência ao pão “que os vossos pais comeram e morreram”. Na primeira leitura do Livro do Deuteronômio, o maná é considerado o alimento dado por Deus no deserto, alimento de tempo de privação e de misericórdia. Na segunda leitura, nos é descrita a celebração cristã da “fração do pão”. É o texto clássico da comunhão e da unidade celestial como fruto da Eucaristia e que se encontra em todas as Orações Eucarísticas, especialmente na segunda “epiclese”.
A homilia deste dia terá de ser uma profissão de fé no realismo da presença sacramental de Cristo na Eucaristia e a finalidade de alimento que é própria deste sacramento. Não é o momento para propor aos fiéis pontos de reflexão para evitar uma reação como a dos judeus no evangelho: “Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?”. Jesus nada corrigiu do que disse; pelo contrário, reafirmou que era condição para adquirir a vida eterna e participar na ressurreição. Tem que ficar muito claro que, quando no momento da comunhão dizemos: “o Corpo de Cristo”, estamos afirmando a verdade do que damos e que o crente recebe, dizendo: “Amém”, ou seja, “eu acredito”.
Os textos bíblicos falam, sobretudo, do pão e a segunda leitura da sua “fração”. A idéia da partilha está bem explícita, quando se fala da Eucaristia. Então, na homilia é importante deixar claro que o que nos une não é comer um pedaço de pão, mas receber o Corpo de Cristo, presente em cada fragmento do pão eucarístico que recebemos e que assim faz com que “nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do único pão”.
Não podemos esquecer de exortar os fiéis à participação eucarística e ao louvor e adoração deste “Corporis mysterium Sanguinisque pretiosi”. O prefácio desta solenidade apresenta-nos uma belíssima ideia a não perder: “Assim nos reunimos à mesa deste admirável sacramento, para que a abundância da vossa graça nos faça participantes da vida celeste” (Prefácio da Santíssima Eucaristia II, Missal Romano, p. 1255).
Fonte: Secretariado Diocesano da Pastoral Liturgica de Viseu - Portugal
* adaptado para "Português do Brasil" pelo Ache Oração
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